Ontem fui a terapia e chorei. Contei ao
psicólogo que havia acordado no sábado muito gripada e tinha passado o dia me
culpando por não ter disposição pra fazer tudo que precisava fazer. Então, ele
me olhou bem e me perguntou que tanto de coisas eram essas. Acho que ele deve
ter realmente se arrependido de me questionar sobre os detalhes da minha lista
de "things to do", pois acredito que falei sobre ela por, pelo menos,
15 minutos, sem parar.
Quando me dei por satisfeita,
veio a pergunta fatal: existe algo da sua lista que você poderia não ter
deixado de fazer naquele dia? Todos os seus compromissos eram inadiáveis? E
ficou me olhando fixamente, daquele jeito que os terapeutas fazem quando querem
que a gente encontre a verdadeira solução para nossas crises, quando querem que
a gente ache aquela resposta que está nas entrelinhas.
Foram minutos de um silêncio
ensurdecedor, mas foi assim que a ficha caiu. Lembrei-me de quando adoeci e
passei meses sem conseguir fazer uma lista sequer. Não foi como sábado, que
poderia transferir as coisas a fazer para segunda, como ir ao mercado e a
livraria, deixar para passear com os meninos no domingo ou adiar a saída com os
amigos para o próximo fim de semana.
Não. Eu percebi que, naquele
dia, não me enxerguei como prioridade, não aceitei a fragilidade humana em que
me inseria e, novamente, havia entrado na "hipnose da
perfeição", onde achava que podia tudo, onde achava que era invencível e
insubstituível entre outros pensamentos que me dominavam antes de adoecer. E
eu, melhor do que ninguém, sabia o quanto isso não condizia com a realidade.
Anteriormente, quando estava
incapaz de assumir qualquer tipo de responsabilidade, qualquer afazer
relacionado ao bom funcionamento da casa ou estar, pelo menos, presente na vida
dos meus filhos, não tive nem a capacidade de me sentir culpada por isso. Eu só
pensava em ficar bem e rezava, diariamente, para que eu fosse capaz de viver
diferente e fazer tudo melhor. E, mesmo com a minha falta, a casa não
caiu, as crianças não repetiram de ano, não faltou comida, roupa, amor...
E eu? Sobrevivi. Mas ali,
frente a um desconhecido, assinava meu atestado de incompetência. Chorei. Como
uma criança que não tem medo de demonstrar seus sentimentos e me arrependi de
estar retornando aos antigos padrões de conduta que tanto me tiravam do sério.
E, pra fechar com chave de ouro aquela sessão,
ele me disse: "sua vida está muito cheia que ter que...". "Sua
mente aprendeu assim, mas você tem o poder de mudar esses padrões
antigos". "Como?", perguntei. "Você não aprendeu a andar?
Não aprendeu a escrever? Não aprendeu sua profissão? Pois bem, quando há
vontade e esforço, tudo é possível!" Ainda muito sensibilizada com aquelas
conclusões soltei um "Será?". Ele me olhou bem nos olhos e, ao dizer
as seguintes palavras, percebi a presença de Deus: "Tatiana, tenha
fé!"...
Saí de lá revigorada e pronta
para tentar, mais uma vez. Amassei a lista de papel que trazia no bolso e
passei o dia priorizando a tranquilidade, o amor e a paz interior.

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