terça-feira, 30 de junho de 2015

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    Há dois anos tive um problema sério de saúde. Mesmo quase entrando em falência renal entre outras complicações de gravidade semelhante, passei algumas longas semanas sem diagnóstico, ou melhor, quase preenchendo a vaga para mais de meia dúzia de doenças letais. Sem desconsiderar a dor física, posso dizer, hoje, que o sofrimento psicológico foi incomparável à qualquer outro tipo de aflição que eu tenha sentido em toda minha vida até agora. Não gostaria de enumerar os motivos, mas acredito que possam imaginar o que passou pela minha cabeça naqueles dias intermináveis.

     Mas sabe, pessoal, aprendi a duras penas que o controle é ilusório e que a preocupação só colabora para agravar qualquer problema que venhamos a ter. Assim, posso dizer que, o mais complicado dessa história toda, foi ter que aprender a lidar com o nervosismo na marra, para que as consequências não fossem mais desastrosas. 
     Procurei refúgio na música e na natureza e, algumas vezes, sentia Deus pondo a mão no meu ombro e O ouvia dizendo que tudo acabaria bem. Em outros momentos, era envolta por angústia, medo e tristeza, além de outros sentimentos negativos, frustrantes e impiedosos. 
     Foi uma luta árdua mas eu venci e, hoje, ainda junto os pedaços, me despeço das partes de mim que se foram e rego, com carinho, as novas mudas que nascem no meu jardim. Talvez só exista agora, uma certeza: a de que preciso ser diferente. Tenho a missão de conquistar calma e tranquilidade duradouras, pois não quero mais que a ansiedade seja o meu estilo de vida...
    Percebi que, para isso, preciso me livrar do meu "pensamento preocupado compulsivo" e tenho criado algumas técnicas para me manter distante dele. Tentei inicialmente parar de pensar, aquietar a mente, mas mesmo isso tendo funcionado num momento anterior da minha vida, não deu certo desta vez.
     Compreendi então, que poderia deixá-lo de lado, substituindo essas divagações negativas por pensamentos que envolvessem algo que realmente me desse prazer, algo que eu sentisse que vim ao mundo pra fazer. Acabei, assim, tomando coragem para criar um feed no instagram. Digo coragem porque ainda não consegui abandonar todas as amarras que me prendem à opinião alheia. Hoje, porém, aceito o meu medo, mas não me submeto mais a ele. Eu quero, eu posso, eu consigo. E passo, assim, meus dias, tentando conectar a mente ao coração para CRIAR.
    Desejo apenas ser mais feliz, sendo capaz de viver num equilíbrio conquistado com muito suor, lágrimas, amor e palavras. 

                                                          Bjs a todos,
                                                                                      Tati


2 comentários:

  1. Olá, Tatiana.
    Bonito relato, és forte até em teu nome.
    Respeitoso abraço!

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  2. Obrigada por comentar, fico feliz que tenha gostado!

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