Vou contar... Parece que naquele
momento, o teto da sala havia caído na minha cabeça. O “julgamento” dos meus
atos por outras pessoas sempre me traz fortes emoções. Sinto-me exposta... Ruborizei e meus olhos se encheram de
lágrimas. Ficaram os dois me olhando enquanto eu tentava balbuciar algumas
palavras em meio aquele nervosismo que me dominava e só consegui, no final,
dizer que ele tinha razão. Um verdadeiro “papelão”, como diria minha mãe...
Saí de lá tentando disfarçar a
tristeza. Sentia-me a pior das mortais... Que tipo de mãe eu era? Como me senti
inadequada, envergonhada, incapaz... E depois desse mix de sentimentos
depreciativos, veio a raiva... Do mundo e de mim mais intensamente, é claro! E,
como li num livro uma vez, fui tomada pela síndrome do incrível Hulk.
Quando me vi sozinha, porém, percebi
que não queria nem devia me tratar daquela forma. Sentei, respirei e resolvi
que meus pensamentos não iam mais ser usados contra mim. Comecei, então, a
analisar o que estaria me incomodando mais nesta história. E percebi que a
ansiedade era a origem, o instrumento e a causadora da grande maioria das
minhas dificuldades, tanto naquele momento, como em tantos outros que permeavam
minha vida.
Novamente minha mente tomou as rédeas
da situação e pensamentos depreciativos surgiram me tirando do centro mais uma
vez: como eu poderia ser ansiosa assim, mesmo depois de 40 anos batendo a
cabeça? Por que ainda não fui capaz de mudar as coisas dentro de mim, mesmo com
tanto esforço e vontade? Como eu queria ser diferente...
Essa última reflexão, porém, me fez
despertar. Por que querer ser diferente? Por que não me aceitar? A ansiedade,
durante tanto tempo, foi a causa do meu sentimento de inadequação, de
ressentimento contra mim, de desaventurança. Por que não tentar compreender o
lado positivo desta característica tão arraigada, tão presente nos meus
pensamentos e nas minhas ações?
Não sei se minha história de vida me
tornou uma pessoa desesperada por mudanças ou se já nasci com essa sina.
Esperava impaciente por uma vida diferente, menosprezando a idéia de que as
principais transformações deveriam acontecer dentro de mim. Minha mente
produzia pensamentos constantes de estar “a procura” e qualidades importantes
como a curiosidade, a persistência, a dedicação e a força de vontade foram
desenvolvidas naturalmente.
Sempre desejei ansiosamente ser uma pessoa
melhor, com mais consciência e equanimidade. Acreditava, até poucas horas atrás,
que precisava me livrar da ansiedade a todo custo para que isso acontecesse.
Briga diária, posso afirmar... Mas agora, enxergo que a minha força de vontade
estava sendo usada de forma incorreta.
Neste momento, então, abro meu coração,
admitindo a presença deste aspecto em mim. Peço forças para assumir minhas
atitudes ansiosas e não me depreciar por isso e peço para que eu seja capaz de
demonstrar firmeza e quietude ao reconhecer as consequências dos meus atos influenciados
por ele. E, quando a ansiedade chegar arrasando, peço serenidade para que eu
possa compreender que:
Nem tudo que não dá certo, dá errado;
O que não se pode resolver, já está resolvido;
Quando os nossos planos não acontecem como e
quando queremos, é porque Deus está no comando.
E, assim, caberá a mim aceitar e acalmar o
espírito.
Bjs
a todos,
Tati

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