quinta-feira, 19 de março de 2015

Ansiedade Assumida

     Ontem fui ao consultório do terapeuta do meu filho com o meu marido para uma reunião. Em determinado momento, quando comentávamos sobre um episódio em que meu menino havia se irritado em demasia, confidenciei que havia tentado, de todas as formas, abordá-lo para resolver a situação antes que ele dormisse, para que se acalmasse... Mas, só consegui deixá-lo mais nervoso. O psicólogo se calou, me olhou longamente e, de uma forma bem direta, mas delicada, ele lança: “A melhor forma de lidar com a ansiedade do seu filho é trabalhar a sua. Dormir não o acalmaria? Então?”.

         Vou contar... Parece que naquele momento, o teto da sala havia caído na minha cabeça. O “julgamento” dos meus atos por outras pessoas sempre me traz fortes emoções. Sinto-me exposta...  Ruborizei e meus olhos se encheram de lágrimas. Ficaram os dois me olhando enquanto eu tentava balbuciar algumas palavras em meio aquele nervosismo que me dominava e só consegui, no final, dizer que ele tinha razão. Um verdadeiro “papelão”, como diria minha mãe...
         Saí de lá tentando disfarçar a tristeza. Sentia-me a pior das mortais... Que tipo de mãe eu era? Como me senti inadequada, envergonhada, incapaz... E depois desse mix de sentimentos depreciativos, veio a raiva... Do mundo e de mim mais intensamente, é claro! E, como li num livro uma vez, fui tomada pela síndrome do incrível Hulk.
         Quando me vi sozinha, porém, percebi que não queria nem devia me tratar daquela forma. Sentei, respirei e resolvi que meus pensamentos não iam mais ser usados contra mim. Comecei, então, a analisar o que estaria me incomodando mais nesta história. E percebi que a ansiedade era a origem, o instrumento e a causadora da grande maioria das minhas dificuldades, tanto naquele momento, como em tantos outros que permeavam minha vida.
         Novamente minha mente tomou as rédeas da situação e pensamentos depreciativos surgiram me tirando do centro mais uma vez: como eu poderia ser ansiosa assim, mesmo depois de 40 anos batendo a cabeça? Por que ainda não fui capaz de mudar as coisas dentro de mim, mesmo com tanto esforço e vontade? Como eu queria ser diferente...
         Essa última reflexão, porém, me fez despertar. Por que querer ser diferente? Por que não me aceitar? A ansiedade, durante tanto tempo, foi a causa do meu sentimento de inadequação, de ressentimento contra mim, de desaventurança. Por que não tentar compreender o lado positivo desta característica tão arraigada, tão presente nos meus pensamentos e nas minhas ações?
         Não sei se minha história de vida me tornou uma pessoa desesperada por mudanças ou se já nasci com essa sina. Esperava impaciente por uma vida diferente, menosprezando a idéia de que as principais transformações deveriam acontecer dentro de mim. Minha mente produzia pensamentos constantes de estar “a procura” e qualidades importantes como a curiosidade, a persistência, a dedicação e a força de vontade foram desenvolvidas naturalmente.        
Sempre desejei ansiosamente ser uma pessoa melhor, com mais consciência e equanimidade. Acreditava, até poucas horas atrás, que precisava me livrar da ansiedade a todo custo para que isso acontecesse. Briga diária, posso afirmar... Mas agora, enxergo que a minha força de vontade estava sendo usada de forma incorreta.
Neste momento, então, abro meu coração, admitindo a presença deste aspecto em mim. Peço forças para assumir minhas atitudes ansiosas e não me depreciar por isso e peço para que eu seja capaz de demonstrar firmeza e quietude ao reconhecer as consequências dos meus atos influenciados por ele. E, quando a ansiedade chegar arrasando, peço serenidade para que eu possa compreender que:
Nem tudo que não dá certo, dá errado;
O que não se pode resolver, já está resolvido;
Quando os nossos planos não acontecem como e quando queremos, é porque Deus está no comando.
E, assim, caberá a mim aceitar e acalmar o espírito.
                                                                            
                                                                             Bjs a todos,
                                                              Tati

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