“Da mesma forma que, no avião, quando ocorre alguma
emergência, temos que colocar a máscara de oxigênio antes de ajudar crianças e
idosos; precisamos cuidar de nós verdadeiramente para termos disposição para ajudar
o próximo..."
Ouvi essa frase hoje pela manhã e outra das minhas
inúmeras fichas, caiu. Meu Deus, é isso! Compreendi porque minhas férias tinham
sido tão agradáveis! Quando a gente viaja, se desliga da rotina e de todo peso
que a acompanha: no meu caso, quando analiso minhas listas, observo que estou
envolvida até a tampa com os compromissos, afazeres e responsabilidades de
outras pessoas.
Durante essa pausa, tudo foi diferente. Escolhi a mim!
Fiz tudo que podia e que me deu vontade, relaxei, me diverti, me dei espaço e
tempo. E sabe o que foi melhor? O reflexo disso nas outras pessoas. Cuidar de
mim tornou o cuidado com o outro diferente: automático e leve em alguns
momentos, dispensável e sem culpa em outros. Sem aquela pressão característica
do dia a dia. Mas por que minha vida não pode transcorrer normalmente assim?
Entendi então, como eu andava funcionando. Enquanto uma
parte de mim dava o melhor e o pior de si aos outros, a outra entrava infinitas
vezes na fila da ilusão que garantia a presença de um amigo imaginário, aquele
que cuidaria de mim para o resto da vida. Que devaneio! A única pessoa capaz de
me oferecer tudo que preciso sou eu mesma. Simples assim!
A carência vem da ignorância: não de não saber, mas de
não sentir como isso é verdadeiro. E sabe por que a gente tem tanta dificuldade
em compreender isso? Porque ninguém nos ensinou... Aprendi que deveria ser a
melhor filha do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor amiga do mundo, a
melhor mãe do mundo. Ninguém me ensinou que eu só precisava ser boa o suficiente
pra mim e que o resto viria naturalmente.
Uma vez, assisti a um filme em que um homem vai para céu
e, mesmo querendo ficar, tem que voltar para aprender que ele deveria
ser a razão da sua vida. O céu era um lugar de pessoas que tinham aprendido a
se amar, a se valorizar, a respeitar seus limites, a cuidar de si mesmas e ter
compaixão pelos seus erros e dificuldades.
E isso foi, há pelo menos vinte anos e eu, só ontem,
abracei essa idéia.
Resolvi, então, que farei aqui o meu céu, descobrirei
tudo que me dá prazer e me faz feliz e me darei ao luxo de ter a vida que
sonhei pra mim.
Bjs a todos,
Tati
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