quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O meu lugar

      Quando formei minha própria família, me senti completa. Naquele momento assumiria alguns outros papéis que dariam mais sentido a minha vida. Durante muito tempo acreditei nisso e me entreguei a idéia de que, se me esforçasse e executasse minhas funções com a precisão que elas mereciam, seria recompensada de alguma forma. Imaginava que teria paz interior, seria feliz no casamento, teria filhos preparados e autossuficientes e me sentiria realizada na maior parte do tempo.
Porém, mesmo cumprindo minhas tarefas com excelência, o tempo me mostrou que, quanto mais eu fazia, mais vazia eu me sentia. E, sem perceber, me afastava de tudo que eu sempre havia sonhado para mim.
De todos aqueles que eu mais desejava estar junto, permanecia muitas vezes uma presença ausente, sem qualidade, sem emoção. Estava presa às correntes do compromisso, da responsabilidade e da função e não valorizava o espaço da suavidade, da espontaneidade, do afeto. Tudo precisava ser perfeito, correto, decente e sólido.
Até que, um dia, percebi que o preço era alto demais. Que vida era essa que estava construindo pra mim? Que sentido teria minha existência priorizando esse caminho?... Meu palco começou a desmoronar. Não queria mais interpretar nenhum papel, precisava viver, precisava encontrar o meu lugar...
Eu era mãe, esposa e mulher e sabia exatamente quais eram minhas obrigações e meus deveres familiares. Mas qual era o lugar que eu deveria ocupar na vida dos meus filhos? E do meu marido? Qual seria o meu lugar nesse mundo?
Não pude deixar de pensar em como a vida poderia ser breve. Pensei em todos que já havia perdido de um jeito ou de outro e de como eu gostaria de ter tido mais tempo... Mais tempo??? Não, mais amor.
E assim, compreendi. Esse era o lugar que eu gostaria de ocupar na vida dos meus. Não quero mais nada além de ser a pessoa que lhes dá amor. E é tão simples, porque é tudo que sou, é tudo que tenho, é tudo que desejo, procuro e anseio. E quer algo melhor do que ter pra dar o que você acredita que é o melhor que se possa oferecer?
 E assim, tenho passado meus dias. Tenho trabalhado minhas limitações e tentado me amar, apesar de tudo e graças a tudo. Porque entendi que, se não for capaz de me amar como sou, jamais encontrarei o meu lugar fora de mim.
Sim. Um dia serei capaz de eliminar todos os meus obstáculos internos e viver livremente, ocupando o coração de cada um daqueles que amo intensamente.
E, no final de cada dia, retornarei feliz pra casa, pra dentro de mim, pois é esse, certamente, o princípio, o meio e o fim. O meu lugar.
       Bjs a todos,
Tati.

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