quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sensibilidade a Flor da Pele

      Choro até em comerciais. Vez ou outra, sinto-me envergonhada por sair do cinema ou da apresentação de fim de ano da escola das crianças com a cara inchada, mas eu sou assim. Percebi que virei um ponto de referência nesse assunto em casa: sempre quando estamos reunidos, assistido algo que gere, em algum momento, aquele aperto no peito ou aquela vontade de rir por dentro de tanta felicidade, percebo que a atenção dos meninos se volta pra mim. É comum demais ouvir nesse momento: “Mãe, você não vai chorar, né?” e, lá estou eu novamente, limpando as lágrimas e ruborizando....

Percebi que a sensibilidade é uma das minhas maiores aliadas. Ela faz com que eu me sinta viva! Ela me faz despertar do sono profundo que a rotina me impõe e, com certeza, me torna uma pessoa melhor. Posso dizer que é isso que transforma o que acontece fora de mim em algo que eu possa digerir, em algo que possa ser absorvido e integrado ao meu ser como minhas verdades. É a única linguagem que minha alma é capaz de compreender.
A sensibilidade me aproxima de Deus e das melhores coisas da vida. Não existe nada mais emocionante que olhar o céu azul de Brasília e tentar descobrir com que as nuvens se parecem, principalmente quando faço isso na companhia dos meus filhos. Delícia é correr sob as árvores escutando aquelas músicas que transformam qualquer sentimento amargo em luz e alegria. Maravilhoso é se apaixonar um milhão de vezes pelo sorriso das minhas crianças. Rir assistindo uma boa comédia, curtir estar sozinha dentro de uma banheira cheia de espuma, sentir meus pés esquentarem sob os cobertores ao lado de quem eu tanto amo. Tocar o rosto, enxugar a lágrima e dar colo aquela amiga que está precisando de um consolo. Escutar quem precisa ser ouvido, importar-se de verdade com quem clama, inconsciente por atenção. Deixar as palavras e intenções daquelas pessoas abençoadas invadirem minha consciência como raios de sol.
         Descobri também que é a sensibilidade que me aproxima dos melhores momentos da minha vida. Percebi que quanto mais emocionante for a situação vivida, mais eu me lembro dela. Os dias mais emocionantes da minha existência são os mais memoráveis. E são tantas emoções... E é tanta vida!
         Dificuldades, porém, me acompanham desde sempre. Quando a sensibilidade permanece no coração, as portas da minha alma se abrem para os mais belos sentimentos. Mas, se o ego a transfere para a mente, os pensamentos a tornam reativa e emoções confusas me desequilibram e me tiram a paz. 
         Em outros momentos me envolvo tanto nos problemas dos outros que me perco entre lágrimas, angústia e medo. Aquela expressão de “carregar o mundo nas costas” soa muito familiar pra mim. Quanto mais amo quem sofre, mais sofro junto. E esqueço que cada um tem a sua história e tem o direito de cuidar da sua própria vida. Na ânsia de ajudar, muitas vezes ultrapasso os limites do bom senso e acabo invadindo um espaço que não me pertence. Mas que linha tênue essa! Principalmente quando se trata dos nossos filhos, do nosso companheiro e das pessoas que dividimos mais intimidade.
Talvez um dia eu seja capaz de me amar com a mesma ternura que ofereço ao meu próximo. Quem sabe o tempo de me dedicar a mim mesma não está mais perto que imagino? Ser sensível e ser feliz. Já que a sensibilidade faz com que eu seja capaz de me libertar das minhas amarras internas e me doar a alguém; porque não me encontrar nesse momento?
Encontrar e permanecer, é apenas isso que desejo. Permanecer no amor, na certeza e na luz Daquele que me fortalece.
                                              Bjs a todos,
                                                                                     Tati

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