Estou normalmente tão envolvida com os afazeres diários relacionados a tornar tudo mais prático, mais engrenado e mais organizado, que quando me dou conta, o dia acabou. Sinto que o dever foi cumprido, mas passo muitas noites no vazio, no frio das sensações, percebendo que o coração perdeu sentimentos preciosos na correria do dia.
Os sonhos confirmam, através de símbolos trazidos pelo inconsciente, que a insatisfação interna existe e que eu deveria tomar uma posição diferente. Mas, o tempo passa e o FAZER vai tomando sorrateiramente o lugar do SER e, o AMOR que depende desse estado de espírito, se esvai, lentamente.
É nesse ponto que entra a necessidade de se promover encontros verdadeiros. É preciso estar com quem se ama, valorizando intensamente o momento presente. Pegar na mão, olhar nos olhos, ouvir sem julgar, dar atenção sem interrupções externas.
Percebi, há algum tempo, que precisava me livrar da mente tagarela. Infelizmente, ela destruía a maioria dos momentos que poderiam ter sido os melhores e mais especiais da minha vida. A dificuldade em me concentrar na pessoa que estava comigo era causada claramente por aquele falatório interno que acreditava ser essencial à minha sobrevivência: eu era lembrada, ininterruptamente, dos meus compromissos, das minhas obrigações, dos meus problemas e suas prováveis causas e soluções. E, aquele encontro que deveria ser de paz e valorização pessoal, virava algo desinteressante, distante e sem graça.
Um dos meus livros preferidos sobre educação infantil traz uma frase que tento adaptar a minha vontade de promover essa mudança dentro de mim: “A atenção concentrada (participação direta, presença) é a qualidade que transmite o amor. Ela estimula o respeito próprio no que há de mais íntimo, porque ela diz – Eu me preocupo!”
E hoje, é isso que desejo! Vivo rodeada de pessoas maravilhosas que merecem saber o quanto as amo. Quero, em nossos encontros, demonstrar o quanto me importo e o quanto sou feliz apenas por estarmos juntos, sem exigências, sem críticas e sem pressões.
Preciso aprender e praticar. Assim, poderei, um dia, estar só, e na melhor das companhias.
Bjs a todos,
Tatiana Leão

Tati, ser mais e fazer menos também eh meu desafio diário!
ResponderExcluirEssas pessoas que você menciona no texto, as quais tanto ama, aposto que te amam também, e muito! Não pelo que você faz, mas pelo que eh!!
Parabens pelo texto!
Erica.
E como é difícil deixar o fazer de lado nos dias atuais... O ser é um desafio... e tb uma conquista deliciosa! É uma luta diária mas muito gratificante, não concorda? Beijos e obrigada pelo carinho.
ResponderExcluirTati, é impressionante como vc consegue traduzir e expressar fielmente os meus sentimentos nos seus textos! Concordo em tudo! Bj grande!
ResponderExcluirFico feliz por não estar sozinha nessa jornada de sensações e sentimentos, muitas vezes difíceis de serem aceitos e digeridos. Obrigada pelo apoio, amiga querida. Bjs
ExcluirTati, ótimo texto..., retrata exatamente o que esse dia-a-dia louco e cheio de "responsabilidades" nos obriga a fazer... Temos que estar atentas!!
ResponderExcluirA atenção é o sinônimo da consciência nesse caso, Laurinha. Estamos, assim, um passo a frente. A prática leva a perfeição. Vamos trabalhar isso dentro de nós! Bjs
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