Li
uma vez que nossa mente funciona como um copo d'água que a gente joga sujeira
dentro. Quando nos envolvemos em problemas e emoções é como se tivéssemos
pegado uma colher e mexido a sujeira que estava no fundo. A água fica turva e
nos tornamos confusos.
Porém,
se formos capazes de compreender que nossas dificuldades estão lá, mas que não
precisamos ficar remoendo e nos desgastando ao ponto de tornar tudo uma
bagunça, a mente se torna límpida e clara, como a água parada no copo. Poderemos então, na quietude, relaxar. E enxergar melhor. E tomar melhores decisões.
É o
ato de ficar mexendo a colher que tira nossa energia e foi isso que passei a
semana toda fazendo, mergulhada em um monte de problemas desconexos... E,
quando o fim de semana chegou e, finalmente, achei que teria uma trégua, veio
outra questão que me tirou o chão.
Senti
como se estivesse levando uma facada. E lá estava eu, em pé de frente pro
crime, com a faca no peito, pronta para atacar o adversário, mas... Algo diferente
aconteceu.
De
repente parei de analisar e julgar a situação e consegui sentir a dor. E, ao
invés de tomar qualquer atitude, as lágrimas escorreram. Comecei a me perguntar
qual o motivo da face molhada, mas me senti exausta.
Algo
dizia para me deixar em paz e eu sabia que aquele espaço era necessário, que
aquele sofrimento era genuíno e precisava ser respeitado. E então, cedi e
o senti com todo o meu ser.
E comecei a perceber que, com as minhas
lágrimas, toda tensão me deixava, lentamente. E, assim, pedi baixinho:
"Deus, dê-me serenidade para continuar" e me enchi de uma ausência de
pensamentos, sentimentos e sensações.
Foi
assim que senti que a faca ia lentamente sendo retirada. Procurei refúgio e
adormeci aliviada. No dia seguinte acordei refeita. O aperto no peito havia
sumido.
Agradeci
por mais uma oportunidade de fazer diferente e pensei: "Que novas chances
venham!" Porque é dentro da dor que nos encontramos e é através dela que
nos tornamos capazes de nos vestir de coragem e nos despir do medo.
E o
que desejo? Apenas ser capaz de largar a colher e segurar nas mãos de Deus,
para que juntos, possamos admirar a transparência da vida.
Bjs
a todos,
Tati
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