quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os Dois Lados Da Maldade

        Há alguns meses saí do centro, perdi a paz... A maldade alheia me revoltou como a muito não acontecia e tive vontade de por a boca no trombone, de abrir o verbo! Tantos tipos de respostas a esse ataque me vieram à mente que, depois de alguns dias, me sentia fraca, desenergizada e triste.
       O mais difícil disso é que o intento não me atingia diretamente: era voltado a quem amo e que ainda possui poucas defesas e muita ingenuidade. Como não se envolver? Como não sofrer? Foram perguntas que me fiz durante muitas noites mal dormidas...
Mas o tempo se encarregou de me fazer esquecer, pois fui incapaz de superar o ocorrido e acabei incluindo-o ao meu rol de somatizações. Saí de férias e tive menos tempo para mim do que quando estava trabalhando e, apesar dos inúmeros avisos do meu inconsciente e do meu corpo, não consegui o mínimo necessário para estar comigo mesma.
Retornei há poucos dias e pude calmamente avaliar o estrago. Consegui enxergar o quanto esses encontros comigo mesma são essenciais. Percebi o quanto estar só é importante para que a alma fique a vontade para aflorar e explorar o meio externo. E, me refiz, lentamente.
Hoje, porém, ao chegar em casa, me deparei com minha filha aos prantos, inconsolável. Abracei-a com todo o meu amor e perguntei o que a levava as lágrimas.
Mais uma vez, ela havia sofrido o que podemos chamar de “terrorismo psicológico”: alguém mais velho e que tem uma certa autoridade, atacou-a com palavras duras, ofendeu sua auto-estima, feriu seus melhores sentimentos e corrompeu seu respeito próprio. Ela estava em frangalhos...
Fiquei entre a cruz e a espada! Uma parte de mim sentiu vontade de reagir e levantar a bandeira da superproteção. Mas meu coração, dessa vez, pediu para assumir as rédeas: abri o peito para que minha alma pudesse se sentir a vontade e conversar com ela, que precisava muito de mim naquele momento.
- Meu amor, essa não é a primeira e nem será a última vez que passará por esse tipo de situação. Sempre existirão pessoas que não gostarão de você por mais que você se esforce e você não será capaz de fugir de todas as circunstâncias angustiantes por mais que você se empenhe, compreende?
Ela fez que sim com a cabeça sem desgrudar de mim, me apertava forte em seu abraço aflito e cheio de dor emocional. Continuei:
- Querida, quero que você se liberte dessa cobrança que tem feito a você mesma de querer sempre agradar, isso não é necessário e muito menos possível. Nem Jesus conseguiu agradar a todos, não é verdade? Nem ele, gatinha, foi capaz de abrir o coração de certas pessoas... Não exija isso de você! O que essa pessoa pensa, não vai mudar o que você é, acredite!
Ela se afastou e olhou bem fundo nos meus olhos, como se estivesse compreendendo. Seu rostinho todo vermelho me fez lembrar de quando ela era apenas um bebê. Seus cabelos, ainda finos, me trouxeram a imagem de um anjo e tentei prosseguir sem me emocionar.
- Vamos agora, meu doce, receber a maldade com o coração aberto. Vamos agradecer pela oportunidade que você está tendo de passar por uma situação difícil. Vamos encará-la como um ensinamento, vamos pensar nela como uma oportunidade de crescimento. Sei que é ruim e sei o quanto isso a atormentou e a agoniou, mas também sei que isso é uma experiência diferente, capaz de ensinar muito. Pense nela como um presente, como algo que vai te dar mais do que tirou de você: na próxima vez, você estará mais forte e mais preparada e saberá como reagir para não sofrer tanto. Isso não é ótimo?
Ela, então, sorriu. E, naquele momento, soube que havia feito a escolha certa. Aceitando a maldade acalmei seus pensamentos e me libertei também das minhas cobranças internas. Parecia que todo o peso que aquilo havia gerado, foi liberado através de nossas intenções de acreditar na positividade dos fatos.
Indiquei que ela assistisse um bom filme de comédia para que suas risadas trouxessem alegria a sua alma que, provavelmente, estava pequenininha. E, depois que ela havia conseguido dormir, pedi ao seu anjo protetor que abastecesse seu coração com força, coragem e determinação para que ela seja sempre capaz de viver bem e em paz, independente dos obstáculos reais e dos ilusórios que a acompanharão, em toda a sua jornada.
                                               
 Bjs a todos,
                                                                               Tati

3 comentários:

  1. Tati querida, que bom que a sua Bia te tem por perto! Preciso aprender contigo essa maneira leve e tranquila de me posicionar perante a minha Bia nesses momentos delicados! :-) Um beijo enorme no coração! Gratidão sempre!

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  2. Que bom que gostou, prima! Bjs saudosos, Tati

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  3. Que bom que gostou, prima! Bjs saudosos, Tati

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