terça-feira, 19 de junho de 2012

Cinco Minutos

         Hoje despertei feliz! Nada estava diferente: acordei cedo mesmo depois de uma noite sem conseguir dormir direito por causa de uma provável virose que me atacou há alguns dias, tomei o café da manhã em pé na cozinha, me aqueci com um banho quentinho e parti para o trabalho.
         Sentia meu coração tranquilo. Percebi, tentando me concentrar no motivo desse contentamento, que eu estava, na verdade, agradecida por tudo que tenho vivido e por todos que tenho tido a graça de conviver. Meu fim de semana foi recheado de pessoas especiais e iluminadas que me resgataram e me presentearam com um amor desprendido, um amor despretensioso, um amor humano.
         Nesse momento, pedi aos céus que me mantivesse mais assim. Queria, mais que tudo nesta vida, ser capaz de estar em paz e em alegria, apesar de todos os pesares, de todos os problemas, de todos os males que me afligem. Gostaria de estar sempre rodeada de pessoas dispostas a AMAR e encontrar o caminho para os seus corações.
Percebo que, quando estou assim, fico mais compreensiva em relação ao próximo e, ontem, foi a vez da minha menina pedir minha ajuda sem perceber. Como de costume, ela estava doce e afetuosa, porém percebi ansiedade e inquietação em suas atitudes.
Resolvi chamá-la para conversar no quarto, a sós. Na verdade, descobrir o motivo daquela aparente agonia não era o meu foco naquele momento. Sabia que talvez não compreendesse suas razões e me envolver no seu problema não a favoreceria em relação as suas dificuldades futuras - eu precisava mesmo era ajudá-la a entender seus sentimentos e ensiná-la a lidar com suas emoções.
O amor me guiou e me inspirou na forma de abordá-la, pois a senti receptiva e calorosa durante a nossa conversa:
- Querida, você sabia que existem duas Bias em você?
- Não mamãe, como assim?
- Uma delas interage com o exterior: enxerga, ouve, fala, pensa e tira conclusões sobre suas experiências. A outra vive dentro sem saber o que acontece do lado de fora, mas controla seu coração e seu corpo. Se você passa por alguma situação difícil e não reage, a Bia de dentro sente seu sofrimento e provoca alguma reação no seu corpo para te tirar daquela angústia – você pode sentir vontade de chorar ou de sair correndo, pode ficar mal-humorada e descontar em alguém. E, se nada funcionar e você continuar aflita, ela provocará alguma dor no seu corpo ou até te deixará doente.
- Ela é malvada?
- Não, meu bem. Ela só quer te ajudar e te livrar do que está te fazendo mal emocionalmente. E, provocar o corpo, às vezes, é uma saída para te tirar do problema e voltar sua atenção pra você. Esta é a forma da Bia de dentro se comunicar com a Bia de fora.
- E o que eu preciso fazer, mamãe?
- Primeiro você precisa reconhecer o que você está sentindo e o que causou isso. Se você não puder reagir ou resolver o problema de alguma forma, tente explicar a Bia de dentro que você vai dar um jeito, assim que puder. Peça paciência e procure um meio de ajeitar as coisas ou extravazar essa emoção que não prejudique ninguém e nem você mesma, o mais rápido possível.
- Entendi mamãe. Você sabe que eu tenho um amigo que sofre muito bullying... E sabe o que ele faz pra liberar? Ele passa o tempo inteiro andando rápido de um lado pra outro. Já, a Fulana, não leva desaforo pra casa, ela responde na hora que fica incomodada com algum comentário: nunca a vi doente ou chorando...
- É isso mesmo, gatinha. Você entendeu direitinho. Procure sempre conversar com a Bia de dentro: explique a ela como as coisas funcionam do lado de fora, fale sobre as regras da sociedade e sobre o que pensa da vida. Assim, ela vai colaborar mais e você vai poder evitar comportamentos que fogem ao seu controle e que podem até deixá-la envergonhada.
- Mãe... Posso te pedir uma coisa?
- Claro, filha! O que você quer?
- Me dê cinco minutinhos seus, todos os dias, antes de eu ir dormir, para a gente poder conversar um pouquinho. Eu sinto muito a sua falta durante o dia.
Senti um aperto forte no peito. Abracei-a e percebi qual era o motivo de toda aquela aflição: ela só queria estar comigo, nem que fosse apenas por alguns minutos. Confirmei seu pedido bem baixinho e a deixei em sua cama com seus bichinhos. Precisava conversar com a Tati de dentro e tentar compreender melhor minhas emoções.
Ela só estava disposta a me amar...
E eu?
Acho que encontrei o caminho para o seu coração!

                                               Bjs a todos,
                                                                           Tati

2 comentários:

  1. Lindo Tati! Que sensibilidade, de ambas... Parabéns miha querida. Beijão

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    1. Que bom que gostou, tia! Acredito que esta história pode trazer algumas dicas preciosas aos pais interessados em compreender, ensinar e amar mais suas crianças. Bjs

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