Sentia meu coração tranquilo. Percebi, tentando me concentrar no motivo desse contentamento, que eu estava, na verdade, agradecida por tudo que tenho vivido e por todos que tenho tido a graça de conviver. Meu fim de semana foi recheado de pessoas especiais e iluminadas que me resgataram e me presentearam com um amor desprendido, um amor despretensioso, um amor humano.
Nesse
momento, pedi aos céus que me mantivesse mais assim. Queria, mais que tudo
nesta vida, ser capaz de estar em paz e em alegria, apesar de todos os
pesares, de todos os problemas, de todos os males que me afligem. Gostaria de
estar sempre rodeada de pessoas dispostas a AMAR e encontrar o caminho para os seus
corações.
Percebo que, quando
estou assim, fico mais compreensiva em relação ao próximo e, ontem, foi a vez da
minha menina pedir minha ajuda sem perceber. Como de costume, ela estava doce e
afetuosa, porém percebi ansiedade e inquietação em suas atitudes.
Resolvi chamá-la para
conversar no quarto, a sós. Na verdade, descobrir o motivo daquela aparente
agonia não era o meu foco naquele momento. Sabia que talvez não compreendesse
suas razões e me envolver no seu problema não a favoreceria em relação as suas
dificuldades futuras - eu precisava mesmo era ajudá-la a entender seus
sentimentos e ensiná-la a lidar com suas emoções.
O amor me guiou e me
inspirou na forma de abordá-la, pois a senti receptiva e calorosa durante a
nossa conversa:
- Querida, você sabia
que existem duas Bias em você?
- Não mamãe, como
assim?
- Uma delas interage
com o exterior: enxerga, ouve, fala, pensa e tira conclusões sobre suas
experiências. A outra vive dentro sem saber o que acontece do lado de fora, mas
controla seu coração e seu corpo. Se você passa por alguma situação difícil e
não reage, a Bia de dentro sente seu sofrimento e provoca alguma reação no seu
corpo para te tirar daquela angústia – você pode sentir vontade de chorar ou de
sair correndo, pode ficar mal-humorada e descontar em alguém. E, se nada
funcionar e você continuar aflita, ela provocará alguma dor no seu corpo ou até
te deixará doente.
- Ela é malvada?
- Não, meu bem. Ela
só quer te ajudar e te livrar do que está te fazendo mal emocionalmente. E,
provocar o corpo, às vezes, é uma saída para te tirar do problema e voltar sua
atenção pra você. Esta é a forma da Bia de dentro se comunicar com a Bia de
fora.
- E o que eu preciso
fazer, mamãe?
- Primeiro você
precisa reconhecer o que você está sentindo e o que causou isso. Se você não
puder reagir ou resolver o problema de alguma forma, tente explicar a Bia de
dentro que você vai dar um jeito, assim que puder. Peça paciência e procure um
meio de ajeitar as coisas ou extravazar essa emoção que não prejudique ninguém e nem você mesma, o mais rápido possível.
- Entendi mamãe. Você
sabe que eu tenho um amigo que sofre muito bullying... E sabe o que
ele faz pra liberar? Ele passa o tempo inteiro andando rápido de um lado pra outro.
Já, a Fulana, não leva desaforo pra casa, ela responde na hora que fica
incomodada com algum comentário: nunca a vi doente ou chorando...
- É isso mesmo,
gatinha. Você entendeu direitinho. Procure sempre conversar com a Bia de
dentro: explique a ela como as coisas funcionam do lado de fora, fale sobre as
regras da sociedade e sobre o que pensa da vida. Assim, ela vai colaborar mais
e você vai poder evitar comportamentos que fogem ao seu controle e que podem
até deixá-la envergonhada.
- Mãe... Posso te
pedir uma coisa?
- Claro, filha! O que
você quer?
- Me dê cinco
minutinhos seus, todos os dias, antes de eu ir dormir, para a gente poder
conversar um pouquinho. Eu sinto muito a sua falta durante o dia.
Senti um aperto forte
no peito. Abracei-a e percebi qual era o motivo de toda aquela aflição: ela só
queria estar comigo, nem que fosse apenas por alguns minutos. Confirmei seu
pedido bem baixinho e a deixei em sua cama com seus bichinhos. Precisava conversar com a Tati de dentro e tentar compreender melhor minhas emoções.
Ela só estava
disposta a me amar...
E eu?
Acho que encontrei o
caminho para o seu coração!
Bjs
a todos,
Tati

Lindo Tati! Que sensibilidade, de ambas... Parabéns miha querida. Beijão
ResponderExcluirQue bom que gostou, tia! Acredito que esta história pode trazer algumas dicas preciosas aos pais interessados em compreender, ensinar e amar mais suas crianças. Bjs
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