domingo, 27 de maio de 2012

Ser ou não ser... Eis a questão!


       Todos os dias, alguém dentro de mim pede minha atenção. Sinto como se existissem diversas personalidades competindo por um momento de liberdade, por um instante que pudessem se revelar ao mundo exterior.
         É tão nítida essa sensação que já passei muitas horas tentando dividir meu tempo com o objetivo de que todos fossem agraciados com essa oportunidade e a paz voltasse a reinar, mas a coisa não funcionou muito bem assim.
         Tentando analisar como alguém que estivesse de fora observando, via claramente a mãe zelosa, a esposa dedicada, a dona de casa eficiente, a profissional competente. Mas, além dessas, existiam outras dezenas que incomodavam muita gente, especialmente a mim...
         Normalmente, quando as situações fogem ao meu controle, sinto que partes de mim que evito ou desgosto, vêm à tona e tentam assumir a direção da minha vida. Fica evidente, em alguns momentos, a presença da mulher carente, da mãe dominadora, da esposa mandona, da profissional insatisfeita e, é claro, da dona de casa que acha que dá conta de tudo sozinha e que faz tudo melhor do que ninguém.
         Existem aquelas que só aparecem na calada da noite, como a depressiva e a sonhadora. Outras, como a compulsiva e a emotiva, só precisam do estímulo certo para surgir com toda força.
         E assim, os dias passavam e eu ia me sentindo a mercê de uma impotência incomum. Sentia como se eu não fosse capaz de pôr ordem na casa... Mas, percebi, há algum tempo, que me tornar consciente disso já me transformava numa pessoa diferente.
         Jung dizia que para termos o sentido completo de quem somos, ou para nos tornarmos mais integrados e completos, precisamos ir até o inconsciente e estabelecer uma comunicação com todas as nossas personalidades interiores.
         A minha guerra hoje é outra... Aceito, muitas vezes com tristeza e outras vezes com exaltação, todas as peculiaridades que me pertencem. Quando elas surgem de forma inusitada, entendo que não tenho dado o tempo devido a minha autoexpressão. E me programo, me organizo e me cobro esse espaço.
         Qualidades, defeitos e todas as minhas características pessoais são partes de um único indivíduo que, hoje, sabe que é capaz de, um dia, refletir a totalidade de ser. Mas é preciso muito trabalho, muito esforço e muita dedicação para que todas as forças e todas as falhas se condensem à estrutura básica formada desde o nascimento, para dar luz à maturidade genuína.
         O mundo hoje, da forma como se apresenta, torna esse processo evolutivo tremendamente difícil. A maioria das pessoas alcança um ponto no qual tenta prosseguir sem o menor reconhecimento da vida interior, como se pudesse viver uma vida completa no mundo exterior, material.
         Mesmo com todas as exigências vindas da sociedade que me encontro, luto diariamente. Às vezes, desanimo. Outras vezes, encho-me de entusiasmo. Mas, a verdade é que nunca desisto.
Isso que sinto que é viver.
Isso que acredito que é buscar por alguém que, lá no fundo, espera por mim.
                                                                 Bjs a todos,

                                                                           Tati

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