terça-feira, 24 de abril de 2012

Super-Herói

        Esta semana, meu filho de quatro anos me abordou com a seguinte questão:
- Mamãe, quando crescer eu quero ser um super-herói. Mas, eu não sei qual escolher. O Capitão-América entrou naquela máquina e sentiu muita dor pra ficar forte, o Batman só virou herói depois que os pais dele morreram, o homem-aranha levou a picada da aranha e passou muito mal. Eu não quero que aconteça nada de ruim comigo para eu ficar forte... Qual eu posso ser então?

Fiquei sem ter o que responder, afinal, sabia o quanto o sofrimento era necessário para se adquirir a força necessária para a luta da vida.
Li ontem num livro de um mestre yogue que, quando situações difíceis nos assolam, nos concentramos na procura de consolos: materiais ou emocionais. Lembrei-me de alguns anos anteriores, quando tive a oportunidade de fazer análise. Procurava, especialmente, uma saída para a minha compulsão por compras. Eu estava atolada em dívidas e, mesmo assim, não conseguia parar.
Com muito esforço, tempo e paciência fui percebendo os verdadeiros motivos que me levavam a essa atitude degradante e, o crescimento proporcionado por essa procura, me trouxe paz e liberdade. Até o próximo momento de fragilidade...
Parei a terapia e entrei na roda viva novamente. Imaginava estar tudo sob controle, mas percebia que dedicava, a cada dia, menos tempo pra mim. Tinha sempre em mente uma afirmação: de amanhã, não passa! Mas eu ia, constantemente, perdendo lugar na minha fila de prioridades e me sentia infeliz.
O cerco se fechava com o passar do tempo. Surgia o cansaço frequente, a insatisfação perene e, nos momentos que conseguia me afastar das obrigações impostas por mim e pelas escolhas que fazia, escrevia ou chorava. Sabia que isso não estava certo, mas era incapaz de tomar uma atitude producente.
Procurei, então, consolo emocional... Mas, nada que era dito por outras pessoas era capaz de me indicar a saída. Ninguém, nem marido, nem filhos, nem amigos, eram capazes de preencher meu vazio interno. E, assim, senti na pele o mal que me causava.
Chegou, então, o sofrimento. Para me tirar, definitivamente, da estagnação, da apatia, do caos e sombra que havia me metido. Hoje, apesar das consequências nada agradáveis ao corpo e a mente, dou graças à dor. Demorei a aceitá-la e compreendê-la, mas ela chegou para me salvar, mais uma vez.
         Agora, de volta ao centro, vejo tudo com mais clareza. Triste por ter, novamente, caído no mesmo erro, repetido a mesma falha de conduta. Feliz por ter sido agraciada com mais uma chance de tentar de novo, de recomeçar.
         Talvez um dia possa me tornar uma heroína e ser capaz de me manter firme frente às adversidades, sem fugir do propósito que guia meus passos. Quero saber encarar as ameaças com coragem e determinação. E, se conseguir chegar nesse ponto, quem sabe poderei estar ao lado das pessoas sem distinção, oferecendo ajuda, apoio e AMOR, não esperando nada em troca.
Pensando melhor... Se pudesse realmente ajudar meu filho a escolher um super-herói, pensaria no Buzz Lightyear, que veio das estrelas e tem como lema uma das frases mais expressivas que conheço:
 “Ao infinito... E além!”
                                                        Bjs a todos,

                                                                                     Tati

6 comentários:

  1. Espetacular!
    Hoje, naquele meu diário, escrevi assim:
    Preciso respirar fundo e recomeçar.
    Quem sabe eu não consigo trocar a plaquinha de "me ame, por favor" por "aceito doações de carinho"?!
    Atitude é tudo!!

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  2. Querida, nos resgatar diariamente faz parte do processo de cura! Seu diário é a chave para o sucesso, encare dessa forma. Sempre em frente e deixe o passado passar... Bjs e saudades.

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  3. É, tem horas na vida que só podemos desejar ir "Ao infinito...E além!..."
    Bjs Marcia Regina

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  4. Marcia, sei exatamente o que quer dizer mas vamos tentar ver o lado positivo dessa expressão... Nossas possibilidades são infinitas e podem nos levar muito além do que imaginamos. Força, amiga querida! Bjs

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  5. Tati, mais uma vez obrigada por compartilhar conosco sua caminhada!
    Você ja eh uma heroína. Acredite! Somos filhos de Deus e como tais, perfeitos! Precisamos apenas deixar um pouco de lado nosso julgamento de que algumas situações são ruins... Precisamos deixar ser... porque, as vezes, o que de pior nos acontece eh o que de melhor poderia nos ter acontecido!
    Bjo
    'Erica.

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  6. Sim, amiga! Era exatamente isso que eu quis expor com o texto. Tentei deixar claro como funciona esse processo que envolve o sofrimento e consequentemente seu lado positivo: tudo como deveria ser, tudo onde deveria estar e acontecendo na hora certa . Eu que agradeço pelo comentário! Bom resto de semana. Bjs

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