Quando nascemos, somos presenteados com pessoas que, querendo ou não, nos acompanharão por toda a nossa vida. A família é isso: nossos primeiros professores. Independente se as lições passadas serão positivas ou não, esses indivíduos acreditam que estão aqui para introduzir seus filhos na realidade terrena, dentro das normas sociais e idéias já tão bem absorvidas por eles, segundo suas próprias consciências.
Num primeiro instante, aberta a todos os estímulos, a criança absorve todas as influências que vêm ao seu encontro e, passivamente, recebe todas as informações vindas do seu berço familiar.
Inserida na roda viva, esse ser inocente vai crescendo e tentando, na medida da sua capacidade de adaptação, agir de acordo com o ambiente em que vive. No fundo, existe uma procura desesperada pelo AMOR e pela UNIDADE. Enganado, ele amadurece acreditando que “o pedaço do céu” fica do lado de fora e mergulha numa procura incansável que começa dentro de casa e se estende a todos que vai conhecendo e intitulando seus “salvadores”.
O sofrimento causado pela busca sem resultados, leva-o a solidão. Esse estado oferece a morte dos paradigmas anteriores em prol de uma nova vida. O milagre do reencontro acontece e seu coração se torna capaz de abrir as portas ao verdadeiro entendimento, à real consciência do AMOR próprio. A pessoa que recebe o seu ser como seu maior tesouro, ganha a liberdade!
Esse alguém, agora, não depende mais da ação do próximo para encontrar a satisfação pessoal tão desejada. Ele será capaz de cuidar de si mesmo com um amor de mãe e de decidir, com a presteza de um pai, quais serão as melhores direções a seguir. Com a docilidade de uma avó, será capaz de se colocar no colo e se proteger das amarguras da vida. E terá, como avô, a capacidade de escutar em silêncio e dizer as palavras certas no momento em que mais precisar. Como filho, encontrará na sua imperfeição, oportunidades de crescimento e com vitalidade impulsionará os seus sonhos para a realidade concreta.
Desapegado, o ser em questão libera sua família para que cada um possa se envolver com sua missão pessoal. A dependência, então, é desfeita, abrindo espaço para um amor de verdade.
E é esse amor que une, verdadeiramente. Somente esse laço não será desfeito com o tempo. Apenas aqueles que se relacionam sem julgamentos e sem imposições, serão capazes de compreender o poder da individuação.
Forma-se, então, a família espiritual: almas que caminham na mesma direção sob o mesmo sol. Muitas se encontram na escuridão e vencem difíceis obstáculos, juntas. Outras, se abraçam na linha de chegada. Em comum, apenas a vontade de se tornarem maestros de sua própria vida, trazendo consigo a maior e a melhor orquestra que já se ouviu falar.
“A orquestra, já nos chamou. Abri meu coração, tremeu o chão e eu vi que era feliz...” Bjs a todos os maestros,
Tati

Saudade dessas palavras sábias e serenas que me lembram sempre de seguir em frente e orquestrar a grande mudança da minha vida!
ResponderExcluirFico tão feliz em fazer parte da sua orquestra! Senti sua falta nestas últimas semanas...
ExcluirLembre-se, amiga querida, que, muitas vezes, precisamos dar um passo atrás para recuperar o fôlego: a subida é íngrime mas em compensação, a vista lá de cima é maravilhosa!
Você chega lá, seja paciente e se perdoe quando for necessário.
Te amo muito!
Há algo de dramático e melancólico em suas palavras, Tati!
ResponderExcluirPermita-me complementar um pouco suas palavras! Acho que o "pedaço do céu" sempre existe. Ele apenas muda sua aparência e, ainda, ele não está mesmo (como você disse) no exterior, mas sim em cada um de nós. Particularmente, penso que a vida é cada vez melhor. A maturidade do amor, a felicidade, a paz interior... tudo isso é ampliado com o passar dos anos, principalmente em qualidade - que é mais importante. Minha relação de amor com os mais próximos se intensificam com os passar dos anos, esposa, filhos. Isso tudo é surpreendentemente lindo e faz com que eu acredite em "contos de fadas", mesmo porque eles começam dentro de cada um de nós, porém se exterioriza no nosso círculo familiar, profissional e social. Bom é isso! E aproveitando seu comentário anterior que você havia dito que gostou da "reforma íntima", também atrevo-me a dizer que gostei da "família espiritual". Tenha um ótimo final de semana.
Bom dia, querido! Percebo que já está num "grau acima" e chegou aonde muitos anseiam e desejam chegar. Quando há a descoberta da essência e do tesouro interno, a luz extravaza e ilumina tudo que está a sua volta. É o milagre da individuação. E você brilha, amigo! Como disse no texto, quando você se desapega e libera as pessoas da necessidade de tê-las, o verdadeiro amor se torna uma constante e sua vida se transforma num verdadeiro mar de rosas ou conto de fadas, como você mesmo disse. Porém, muitos ainda se perdem no meio do caminho e a minha intenção, com esse texto, foi a de mostrar a importância do reencontro pessoal. Tenho recebido muitos emails de pessoas apontando o próximo ou a ausência dele como responsáveis pelas suas decepções e quedas. Precisamos ajudar essas pessoas a se assumir! Aceitando o papel de curador da própria alma, o indíviduo libera seus semelhantes e conquista, na verdade, um amor mais sincero e mais genuíno! Não acredito que estou dramatizando, apenas tento compreender o sofrimento de quem ainda não se permitiu ser feliz, integralmente.
ResponderExcluirObrigada pela sinceridade e pelo carinho.
Sua luz é contagiante!
Bjs