Lembrei-me como havia sido tratada na infância e me senti ainda pior: estava repetindo comportamentos que me afligiram e me perseguiram por toda a vida, até agora. Fiquei, então, envolvida em pensamentos e sentimentos contraditórios: recorri a explicações, me julguei, surgiram conselhos, neguei o que tinha ocorrido, tentei me reafirmar como mãe e procurei a lógica onde não havia.
Num determinado momento, fui invadida por uma certeza: precisava fazer algo em relação a isso! Primeiramente sabia que devia me perdoar. Eu era humana e tinha o direito de errar. Desculpar-me, em seguida, seria um bom começo. Lembrei-me de uma colocação de Dorothy Briggs que diz o seguinte: “poucas pessoas se dão conta de que a maneira mais rápida de se livrar das emoções negativas (e a única maneira de fazer com que não se manifestem por meio de sintomas doentios) é estimular a sua expressão. Os sentimentos negativos expressos e aceitos perdem seu poder destrutivo”.
Sabia que era necessário aliviar o que eu sentia. Reprimi muita coisa, por muito tempo, pois acreditava ser o certo. Isso causou muitos danos internos: as emoções recalcadas se voltaram contra mim e desenvolvi vários problemas relacionados à auto-estima, ao auto-respeito e ao amor próprio. Gastei tanta energia tentando controlar esse tipo de sentimento, que bloqueei também as emoções positivas. Essa constante agitação interior provocou também efeitos como cansaço constante e tristeza sem explicação e eu tenho tido que trabalhar duro para recuperar a espontaneidade e a alegria de viver.
Provavelmente, no instante que tudo ocorreu, estava descarregando nela alguma emoção negativa (frustração, medo, decepção, culpa ou rejeição) que mantinha guardada dentro de mim. Aprendi que a raiva vem, normalmente, para disfarçar algo anterior que não foi reconhecido e muito menos expressado. Era claro que não estava tendo tempo pra mim: sentia-me alienada em relação a esses sentimentos primários. Precisava me priorizar para identificar a causa dessa hostilidade sem igual.
Chorei... Ainda havia dentro de mim muitas emoções negativas que precisavam ser liberadas (acredito que precisarei de muito tempo ainda para esgotar tudo que guardei durante mais de trinta anos) e eu precisava fazer uma auto análise para compreender os reais sentimentos que estavam por trás desse ocorrido.
Fui buscá-la na escola, após um dia de trabalho pesado. E ela estava lá, linda e doce como sempre, mergulhada na sua inocência quase juvenil. Abracei-a com todo o meu amor e perguntei como ela estava. Ela me disse que havia ficado tensa antes da prova, mas que havia se saído bem.
Felizmente, isso nada importava pra mim, naquele momento. Beijei sua testa com todo o meu amor e pedi desculpas por ter sido tão severa pela manhã. E sua resposta veio, direta e sem rodeios:
- Tudo bem mamãe, eu também te amo. Vamos pra casa.
De mãos dadas, saímos caladas. Repletas de um silêncio que tagarelava emoções.
Bjs a todos,
Tatiana Leão

Oi Tatiana! Bom, gostaria de também expressar que este sentimento ocorre muitas vezes comigo. Isso pra mim é horrível pois sinto-me como um violentador, um cobrador de resultados, sem se importar com os sentimentos dela. Por vezes eu gritei "Deus o que foi que eu fiz! Perdoa-me Senhor!" Seguidas vezes me ajoelhei ao lado da cama dela e lhe disse: "perdão filha o papai te ama muito" em meio a lágrimas que escorriam pelo meu rosto... Mas é isto, a bíblia diz que temos que ensinar nossos filhos nos caminhos em que devem andar, pois quanto eles crescerem não se desviarão dele. E é basicamente isso que tentamos fazer! Que eles andem nos caminhos que lhes mostramos e ensinamos. Forte abraço do seu amigo Átila Gadioli.
ResponderExcluirQuerido, bom te ver por aqui. Atitudes como esta nos maltratam. Aprendi, porém, que os sentimentos negativos vem antes das atitudes negativas. No meu caso, amigo, descobri que minha explosão era um escape de tormentos interiores. Preciso reconhecer melhor esses sentimentos para libera-los conscientemente, antes deles saírem sem controle e machuquem a mim ou quem amo. Bjs e comente sempre que quiser, bem vindo ao blog!
Excluir