Percebi que acreditar e ter fé no meu poder de ser eu mesma e confiar nas minhas melhores intenções, não é capaz de me tirar do desespero imposto por algumas situações inesperadas, ditadas pelo destino.
Gostaria tanto de não me sentir tão fragilizada e, muitas vezes, tender a ter pena de mim mesma. Gostaria de ser capaz de analisar o sofrimento mais racionalmente no momento que ele chega. Gostaria de vê-lo como algo que vem para o crescimento, algo que vem para despertar o novo, o belo e a força. Esperava me portar diferente frente às peças pregadas pelo caminho exterior, manter meus passos sob CONTROLE: fujo tanto desta palavra e a desejo tanto...
Felizmente, a cada crise me sinto mais consciente. Sinto que estou passando por um momento difícil, percebo que ele me tira do centro, me deixa cega e doente. Agora, vejo claramente como fico prejudicada fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Provavelmente, isto já é um sinal de um amadurecimento real, apesar de não conseguir superar e aquietar meu coração.
Eu saio do sério, esta é a real! Envelheço anos em dias, maltrato meu corpo com sensações desagradáveis provenientes do medo e da ansiedade e entristeço minhas horas com pensamentos depreciativos e amargurados. Haverá saída para alguém que sabe o mal gerado por essa autoflagelação, mas que é incapaz de dar um basta no primeiro instante que isso ocorre?
Agora que a tempestade acabou, o silêncio voltou. Sou capaz de respirar sem ser incomodada pela “mente tagarela” e sinto uma vontade enorme de comemorar. Desejar que isto não ocorra novamente? Não, só estaria me enganando. Querer não passar mais por dificuldades, constrangimentos graves, problemas sérios, sonhos desfeitos? Impossível. Seria apenas fugir de viver e, hoje, o que mais procuro é a CORAGEM.
Quero apenas tirar um ensinamento de cada crise e, ser capaz de usá-lo na próxima dificuldade. Só! Tenho tempo para errar e me dei o direito de voltar atrás quantas vezes forem necessárias. Aprendo, lentamente, e sei que são meus erros os responsáveis pelo meu amadurecimento pessoal.
Desse último contratempo percebi que é necessário ACEITAR a dor. Fugir internamente do problema só o torna maior e dominante. Preciso entender a parte de mim que está magoada, triste e sentida, preciso trazê-la para perto do meu peito, onde ela possa se acalmar com o som do meu coração e o compasso da minha respiração.
Descobri que estar em OFF é permitido. Senti saudades de tudo. Estou de volta, com novas cicatrizes e novas idéias e o desejo de ser capaz de seguir sempre em frente.
Bjs a todos,
Tatiana Leão

Tati, minha querida, estava conversando com meu orientador ontem. Ele mora na ilha de Itaparica, tem 83 anos, é magro, inteligentíssimo, cuida muito da alimentação, do corpo e da mente. É, além de tudo, super ativo, bonito, charmoso e dá aulas na universidade até hoje. Vem a Salvador duas vezes na semana e vive nessa ponte ilha-cidade há anos. É um super arquiteto, intelectual reconhecido e hoje é um profundo estudioso de filosofia, tanto que faz parte da acadêmia baiana de ciências. Ele mora sozinho e poderia ser uma pessoa vaidosa e estressada, mas, pelo contrário, é uma das criaturas mais leves, doces e generosas que eu conheço. Estávamos falando sobre relações e de como viver nesse mundo de hoje. Ele foi taxativo: fazer aquilo que lhe dá prazer! E mais, não se deixar afetar, não cair nas armadilhas contemporâneas do consumo e da cobrança exagerada como sempre estivéssemos em dívidas eternas com tantos setores (emocionais, psicológicos, sociais, etc), além de saber coexistir com diferenças, multiplicidades e heterogeneidades o tempo todo. Além disso, ter um posicionamento mais ético e mais crítico perante a vida! Mas, sobretudo, ter essa consciência que tudo é efêmero, que tudo passa e que o tempo é esse emaranhado sem começo nem fim e que a vida é uma eterna deriva onde nem sempre temos porto de chegada. E finalizou: navegar no caos é preciso!!! Não o caos como desordem, mas o caos como oceano da dessemelhança, o lugar da criação e da potencialidade! Então minha flor, através dessas sábias palavras de um mestre baiano, te digo: siga meu bem, sinta e viva seu caminho, mas não se deixe afetar tanto, pois podemos ter todos os possíveis equilíbrios mas, de fato, somos seres errantes, rizomáticos e sensíveis vivendo nesse turbilhão. Acho que enfrentando esse pensamento de uma maneira mais leve, aceitando certas situações, podemos viver menos afetados, como ele mesmo diz! :-) Mas a inquietação nos persegue, não é mesmo? Hoje tento não achar muito explicação nas coisas e nos acontecimentos, afinal, estou começando a aceitar a imprevisibilidade, a incerteza, os eventos e os processos...Bom dia Tati! Vamos lembrar: não nos deixemos afetar tanto!
ResponderExcluirEra só o que eu queria, prima querida, não me afetar tanto... Mas, como eu disse no texto, estou aprendendo, lentamente, mas estou aprendendo. O seu comentário foi tudo hoje, muito obrigada. É tão bom ouvir os ensinamentos de alguém mais maduro e experiente. Uma excelente semana pra você, mil beijos e saudades!
ExcluirQuem não tem desafios na vida, Tatiana?
ResponderExcluirSeu texto está corretíssimo. Com o tempo vamos recebendo com mais maturidade e serenidade as dores e os "problemas" da vida. E como você disse, depois dessa tempestade, um sol radiante aguarda a todos. Muitas vezes o problema se resolve por si só e fica o mais importante, o aprendizado. Fato é que são nesses momentos, que crescemos muito mais... consolidamos nossa reforma íntima. Ótima 4ª feira para você e grande abraço.
Wagner, é exatamente isto! Adorei a expressão "reforma íntima"! Obrigada pelo comentário. Foi especial! Bjs e me chame de Tati. Boa semana pra você!
ExcluirOps... Saiu como anônimo e esqueci de assinar: Wagner.
ResponderExcluirTatiana,
ResponderExcluirA meditação tem me ensinado que o importante não eh sair do foco e sim voltar a ele.
Quando estou meditando e perco meu foco e embarco em meus pensamentos, lembranças e dores, não me julgo, apenas volto para o meu foco.
E assim eh na vida...
Parabéns pela volta!
Obrigada por compartilhar.
Bjo
Bom dia, amiga! Sabe que desta vez não achei forças para meditar e me senti fraca e deprimida... A tristeza tomou conta de mim mais por essa dificuldade que pelo problema em si, acredita? Mas esse tipo de derrota só nos torna mais conscientes da nossa imperfeição, nos acorda para as questões interiores e para a necessidade real de rompimento dos arquétipos que insistem em nos manter os mesmos, distantes das mudanças, tão necessárias e benéficas. Aceitar amiga, aceitar é a solução. Bjs e obrigada pelo carinho hoje e sempre.
ExcluirOps, tb esqueci de assinar.
ResponderExcluirErica.
Tati..., já notou que a melhor coisa a se fazer quando uma onda do mar desaba sobre a sua cabeça é deixar-se levar, relaxar o corpo - e não enrijecer - para que as dores deixadas pelo caixote sejam bem minimizadas?!
ResponderExcluirEssa lição do mar levo para a minha vida toda. Não há como evitar determinados caixotes, por mais que mergulhemos fundo. A nossa alma deve estar preparada para absorver o impacto sem se enrijecer... isso é não estar no CONTROLE da situação, mas é estar no CONTROLE dentro das possibilidades.
Seus textos são ótimos! Pessoais, profundos e verdadeiros. Obrigada por compartilhar conosco e nos mostrar, no meio de toda a correria cotidiana, em que pensamos ser "super-heróis", que somos apenas seres-humanos passíveis de todo o tipo de pensamento, sentimento, medos e dores.
Beijo grande, Laurinha.
É Laurinha... Mas como é difícil nos livrarmos da crença de sermos eternos "super herois". E como a gente se cobra na hora que o circo aperta, não concorda, amiga? Eu tento me convencer da necessidade de relaxar mas a parte de mim que acredita que pode resolver tudo não me deixa em paz... Mas,vamos em frente. Bjs e obrigada pelo carinho.
ExcluirAmiga linda.... temos que tomar cuidado com a auto exigência.... temos que nos permitir sofrer, perder o controle de seus sentimos e se entregar à tristeza... isso não te faz pior ou derrotada... te faz ser humano..... temos nossas fraquezas, nossos momentos de angustia, de solidão e até de desespero.... mas o melhor é que depois disso tudo, a gente ainda consegue se levantar e ser FELIZ!!!!
ResponderExcluirDani moya
Amiga mais que querida, vc sabe o quanto te amo e o quanto adoro conversar com vc. Mas quando eu deixo algumas situações difíceis me dominarem ao extremo, fico sem ENERGIA (kkkk) até para desabafar. Preciso aprender a reconhecê-las antes que elas se instalem e provoquem um estrago dentro de mim. Obrigada novamente pelo carinho e pela força!
ExcluirPrima linda, iluminada, consciente e "trilheira" da vida! NOSSA!!! Desculpa a ausência, mas, na primeira vez que venho aqui, recebo um presente de texto desses? Lindo, como você, o seu texto! Real, transparente e verdadeiro (babando um pouco: Que orgulho de ter uma prima assim, gente! Exímia escritora e humana). Você escreve muito, muito fácil coisas que, para mim, seriam muito difíceis de escrever (até de analisar), enfim, és uma dessas psicólogas sem a "Graduação Formal"... Engraçado este tema, neste momento, pois, conversava com um colega sobre assunto similar e, em míseras 30 linhas, você resumiu nossa conversa, que levou quase a tarde toda de hoje, hehehe...
ResponderExcluirComo disse, muito pertinente suas ponderações e realmente HUMANO! Somos isso mesmo, Tati. Por mais que digam o contrário e torçam para que não sigamos estes caminhos ora sombrios e solitários, somos assim mesmo em algum dia de nossa vida, de nossa existência (graças a Deus ;-) ). E, agraciados por esta Justiça Divina, "sabemos" que temos a nossa eterna existência (nossa jornada) para buscarmos a nossa tão almejada felicidade. Mas, pode demorar um pouquinho para chegarmos lá. Pode sim e é normalíssimo, comum, acontece com quase TODOS... Mas, para que a pressa? (Dito por um baianinho aqui então, hein!) Vamos respeitar o nosso tempo! Tudo é sabiamente aproveitado! Vamos acalmar nossos corações e pensamentos, pois a certeza da vida é muito "bela"! "Certo" é que, um dia, neste futuro e "próximo" infinito ( !??! ;-) ) todos nós (indistintamente, do pior ser humano da face da Terra até o mais medíocre) alcançaremos a Perfeição "Relativa", ao lado ("um pouco abaixo", hehehe) do mais puro, sublime e indescritível "Ser". Isso é reconfortante, não? Ter a certeza de que chegaremos "lá" (um dia).
Mas, para isso, sabiamente, nos é colocado estas oportunidades de crescimento. Sim, estes sofrimentos tem seu o seu lugar, em nossas vidas. Todas estas inquietações, quedas, sacudidas e levantadas e quedas, capotagens e... e... e... são necessários para tornarmos quem seremos no futuro. Futuro? Iremos sorrir, gargalhar, desdenhar do nosso passado "tenebroso", mas, sem zombar dele, sem desprezar ele (aliás, de nós mesmos), repeitando o nosso momento de evolução. Para isso, temos sim que passar por tudo isso e você, prima linda é consciente de tudo isso! Uma felizarda que "abriu os olhos" (os meus, inclusive, estão meio embaçados, mas...) e que, com cicatrizes, será mais feliz! Vitoriosa, vá em frente, primona, vá em frente sempre!
Um carinho, Eliézer.
Nossa primo querido... Arrepiei! Isto porque você acha que está com os olhos embaçados? Já imaginou se estivesse enxergando bem! Você escreve lindamente, sabia? Parece que estava ouvindo você dizer tudo isso pra mim, ao vivo e a cores! Ah, querido, a consciência disto tudo é o primeiro sinal do despertar e você já começou este processo. O segundo é a aceitação e parece que você já entendeu isto também. Fico feliz que tenha gostado do texto e espero que possa ler os demais. Todos tem um fundamento e foram escritos com muito carinho. Querendo comentar mais algum fique a vontade, discutiremos para crescermos, OK? Adoro você e fiquei muito lisonjeada com seus elogios, foi um lindo presente. Bjs e muita luz!
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