sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Limites

   Sou uma pessoa comum, mas desde que me conheço por gente, vivo na estrada da fama. Digo isso, agora, pois acredito que fui mais uma menina de família simples que recebeu a missão de vencer, de se superar e ser, definitivamente, a melhor no que faz.
    Desde muito cedo, me fizeram acreditar que eu era o máximo. Fui a melhor aluna da minha sala, a melhor nadadora da minha academia, a criança mais educada da minha turma e a menina mais responsável, comparada aos filhos dos amigos dos meus pais.
    E os defeitos? Não existia espaço para eles. No início eram reprimidos entre quatro paredes, pois “roupa suja se lava em casa”. Depois percebi que, se eu fosse capaz de ocultá-los em mim, teria quase 100% de aceitação e isso pareceu, naquele tempo, o paraíso das sensações.
    No início, tudo caminhou muito bem. A felicidade era proporcional ao que os outros achavam de mim e eu, na maioria das vezes, agradava demais. Tornei-me mestra em descobrir o que as pessoas desejavam encontrar e produzia em mim qualidades e funcionalidades com destreza e perfeição.
    Infelizmente, toda moeda tem dois lados. Quando não recebia a aprovação que tanto ansiava, quando não era querida quanto achava que merecia e quando não era capaz de agradar quem eu acreditava que devia, sentimentos de depreciação pessoal, pouco valor individual e baixa auto-estima tomavam conta de mim.
    Hoje, tento superar essa mania, esse vício em acreditar que posso ser sempre melhor e fazer sempre mais. Penso que isso talvez funcione como no tratamento sugerido nos alcoólicos anônimos: viver mais um dia sem...
    ... Sem me cobrar tanto! E como é difícil. Essa idéia da perfeição parece estar incrustada na mente de quem exige de si o impossível. E, mesmo sabendo disso, eu sofro frente ao erro, a falha, a dificuldade e a impossibilidade de superação em alguns momentos. Várias vezes, senti que era escrava das críticas e opiniões alheias e, quando eram negativas, essas me levavam ao fundo do poço.
    Hoje, procuro a cura. Percebo agora que o caminho não me leva sempre em frente. Os meus limites pessoais me transformam em alguém que precisa parar e analisar a possibilidade de dar um passo atrás em busca do auto-conhecimento, em busca das respostas verdadeiras, em busca do que realmente me fará feliz.
    Quero me libertar, me livrar dessas amarras pesadas impostas por padrões tão bem definidos e determinados pela sociedade. Preciso entender que, raramente, minhas atitudes em prol da satisfação de minhas reais necessidades, serão vistas com aprovação, aceitação e aplausos de todos. E as pessoas têm esse direito!
    Falo do direito de gostar ou não de mim. De sentir e de pensar diferente. De enxergar as coisas de outra forma, de ter idéias opostas as minhas, de querer algo que nem imaginava.
    Esse caminho segue em direção ao meu direito de SER eu mesma. Assim, garantirei a leveza, a verdade e a espontaneidade aos meus relacionamentos e a minha vida.
    Hoje só quero saber “de ser quem eu sou e de estar onde estou...   
                            ... e agora só falta você!”
                           
                                                  Bjs a todos,
                                                                              Tatiana Leão
 

9 comentários:

  1. Amiga.... quase chorei.... disse tudo.... é o amor que age através de nós e que bom que podemos usufruir desse sentimento!!!!!
    Dani

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    1. Querida Dani, vc teve um papel decisivo em muitas das minhas conclusões. Obrigada por estar sempre ao meu lado, principalmente nos momentos mais difíceis. Amo muito você!!!

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  2. Nossa Tatiana, me vi (ate uns quatro anos atras) nesse post! Ate me assustei.. rsrsrs
    Digo ate uns quatro anos atras, porque, ao que me parece, diferentemente de você, que pelo jeito esta fazendo estas descobertas do SER gradativamente, a " vida" me deu uma porrada para que eu enxergasse tudo isso que você falou na postagem. E o que de pior me aconteceu, foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. Me permitiu me descobrir, descobrir uma Erica que eu nem sabia que existia!! So pra você ter uma ideia, larguei a Odontologia, fiz um concurso publico e voltei aos bancos acadêmicos. Sou aluna do 6 período de Direito. Estou mega feliz. Isso fora as mudanças internas, e como você bem colocou, fora o espaço que abri para os defeitos!!!
    Parabéns pelo texto, parabéns, principalmente, pela coragem de fazer essa caminhada.
    Namaste!!

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  3. Tati, querida, as vezes nos agarramos a padrões de comportamentos e, quando não atendemos às expectativas dos outros, entramos em depreciações e cobranças, na busca de sermos aquele ser amado e "correto". Mas, não somos. Erramos sim e temos esse direito. Direito de dizer não, direito de não atendermos às expectativas alheias, mas de sermos respeitadas pelo que, de fato, somos. Ai vem os papéis, que tanto você fala sabiamente. Na última semana dois jovens próximos tiraram suas próprias vidas, pois não conseguiram atender às cobranças da sociedade e da família. E isso é muito penoso para um ser humano sensível. Preciso seguir e trabalhar a aceitação. E, sobretudo, nos cuidar e ficarmos atentos, pois chega o momento que temos que quebrar e desconstruir antigos padrões. É duro, mas necessário. E aí as mutações acontecem e entramos em processos de renovação. Sem angústia e sem pressa. Mas repeitando o nosso tempo. Cada passo um passo. Cada dia um dia. Tati, belíssimo seu texto. Me fez refletir. Beijos

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  4. Lindas amigas Érica e Ariadne, é maravilhoso ver pessoas magníficas como vocês andando por esse mesmo caminho. Quase não publiquei esse texto, achei que ninguém se identificaria. Obrigada pelo apoio e pela força. Vamos romper esses padrões, vamos renovar nossos conceitos e trazer luz para as novas gerações. Temos um papel importante na construção de novos arquétipos. Energia produz energia!Bjs

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  5. Tati, acho que raras serão as pessoas que não se identificarão com esse texto. A vida tambem me ensinou (de uma maneira dura, você sabe) a enxergar as coisas de outro modo, a dar valor ao que realmente importa e ser eu mesma mesmo que os outros possam não gostar ( embora isso seja difícil às vezes,pois não foi assim que aprendemos desde crianças).Como sempre ADOREI seu texto e continue sempre a nos inspirar com palavras tão sábias! Bjs Marcia Regina

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  6. É isso aí, Marcia! Somos vencedoras não só por ter passado por tantas provas, mas por termos evoluido com elas. Isto é amadurecimento, minha amiga. Difícil sim, aliás a gente acha que não vai conseguir. Mas, depois que a poeira baixa, a gente percebe que há males que vem para o bem. A luta continua, obrigada por estar tão próxima. BJS

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  7. Nossa... estamos em sintonia! Estava lendo um texto do Pathwork sobre isso hj! E o duro sabe o que é ?? Se cobrar tanto para se sentir merecedora de amor!! E a gente precisa fazer tão menos....
    Corajoso seu texto!
    Bjs Tati
    Marcia Oliveira

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    1. Sempre em sintonia, amiga! Foi um texto difícil de escrever, da mesma forma que é difícil abrir as gavetas profundas ou entrar nos nevoeiros a noite... Mas, precisamos ter coragem e prosseguir com nossas descobertas e, principalmente, com a aceitação delas. Bj grande e saudades.

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